Onde nos perdemos (e encontramos) na procura das relações (sem) amor

Esta história é uma abertura de coração, e não a estou a escrever para alguém, além de mim mesma. 

Hoje, mais que nunca, percebi que escrevo apenas para mim. Tu leres as minhas partilhas e poderes usufruir delas, é uma consequência da minha capacidade de transferir para palavras e histórias reais, vindas do coração, como extensão de todo o meu trabalho. O que faço dentro de mim. O que faço para cumprir o meu trabalho com todas as almas que toco e surgem na minha vida, para receberem algo que as leva ao momento seguinte.

 

Muitas pessoas me perguntam porque não publico um livro.

Não corro atrás dessa publicação, apesar de já escrever quer em ficção quer em relato biográfico, desde que aprendi a escrever. 

São 32 anos de escrita. São 32 anos de partilha do que me vai na alma, com um único propósito: expandir além das ideias corridas e saltitantes que se atropelam dentro da minha mente, organizando-as em frases e textos.

Sempre pensei em ser escritora, e agora percebi porque nunca me publiquei ‘oficialmente’. Antes procurava a obra que me trouxesse glória, e (r)estruturava os textos, com filtros, para os outros. Neste momento só escrevo para mim. 

A minha escrita explodiu desde o momento em que deixei de pensar nas palavras certas para os outros. Escrevo para mim. E só para mim. E se te fizer sentido as minhas partilhas. Então, isso é só uma consequência.

Agora sim, talvez, já esteja preparada para me publicar. Não pelo ego, sim pela concretização do plano da minha alma, que transformou este dom, em algo real para o mundo.

Que esta história seja o que tiver de ser. Que te chegue, se tiver de ser. Nem mais. Nem menos.

Onde tudo começou

Esta manhã acordei a pensar na fantástica viagem dentro de mim, neste último ano.

Um único ano, e mil vidas dentro dele.

Como é possível dar tantas voltas e rodopios numa espiral que se expande, em pouco mais do que apenas 300 e alguns dias?

Estes pensamentos que se somaram na minha mente, e no meu coração, esta manhã, na verdade, não começaram hoje, e sim nas últimas semanas, com vários desafios e insights, que inclusive fui partilhando contigo por aqui.

Daí a formar-se o panorama do que preciso escrever(-me) agora, foi tão claro.
O reflexo deste tempo de afetos que variam entre líquidos e tempestuosos. De escolhas egoístas que não acrescentam. De medos que aprisionam. E, onde me afundei também…

Após a viagem dentro de mim, ainda ao acordar, faz poucos minutos, vim até à praia, como tem sido habitual, bebericar o néctar amargo do café, à brisa do mar, e sob o olhar do céu azul (hoje pálido). E pelo caminho pensei, como te tenho de te contar esta história…

Esta é uma das minhas histórias, e representa uma transformação de perceção dentro de mim, sobre quem sou eu. De verdade. E as mil viagens que fiz, para fugir e regressar a mim.

Hoje acordei a pensar nas mudanças deste último ano, porque o ano anterior foi terrivelmente inerte de histórias. Mas na verdade a história que começa faz um ano, que te vou contar aqui, apesar de ser o ponto “zero” da minha partilha, é o meio da história.

Faz anos, decidi que estava ‘farta de malucos’ na minha vida. Sim, pessoas emocionalmente instáveis, com expectativas irreais da vida, que depositavam a sua ‘felicidade’ num envolvimento romântico-amoroso para o qual não estavam preparadas. 

Na verdade eu sempre fui inteira sozinha, e desde que me lembro de mim, que nunca tive muita paciência para relações cliché, e quando me obriguei a estar nelas, foi sempre muito sofrido, porque não era orgânico para mim.

Mas, há 4 anos, dado a instabilidade emocional de tanta gente, decidi que, cliché ou não, que ia fazer umas férias de qualquer envolvimento romântico-amoroso-sexual na totalidade.

Uma pandémica utilização das apps

Nunca deixei de acreditar no amor. Mas decidi que não valia a pena procurar, só porque sim. Que quando fosse o momento e as pessoas certas, haveria algo na estrutura que seria diferente. E relevei a importância do envolvimento em conexão, além de mim.

 

Passou-se um ano muito tranquilo, e a caminho de completar o segundo, veio uma restruturação do mundo, como o conhecemos.

Em Março de 2020 fomos para casa, fechados, sem nos encontrar fisicamente com ninguém. E aí começou um pânico dentro da minha cabeça: “e se o mundo termina, e eu não vivo mais nenhum momento de amor?”, seguido de um segundo pânico “e se o mundo termina, e eu não sou mãe?”

Este momento de pânico foi crucial para a história que te vou contar, sobre a viagem deste último ano.

Nesta história vou revelar muito sobre mim, os meus medos, as minhas inseguranças, as minhas sombras, mas acima de tudo, esta não é uma história sobre nada disso.

Esta é uma história sobre reencontro da essência. Algo que faz tantos anos trabalho com alunos, clientes de coaching e consulentes de terapias.

E que, mais do que nunca, percebi, dentro de mim, o que realmente é este regresso a casa, esta volta para dentro.

No meio do caos dentro do medo que apoderava na minha mente, vim morar para a minha terra natal, depois de quase 20 anos fora. Já não conhecia (e ainda conheço poucas) pessoas por aqui, ou pelo naquele conhecimento de confiança para fazer o que sempre fiz: sair, conviver, rir, conversar, juntar gente à mesa.

 

E nesse caos todo, fiz algo que acreditava dentro de mim que nunca iria fazer. 

Sempre considerei os sites e as apps de encontros o último reduto do desespero de quem não sabe amar, de quem nunca foi amado, dos sem coração e dos corações despedaçados.

 

Sempre acreditei que as pessoas que iria encontrar ali seriam iguais aos perfis de facebook que tenho ignorado ao longo dos anos, e das mensagens de messenger que ignoro constantemente, com abordagens que não aprecio minimamente. Pelo contrário, são altamente repugnantes.

Sempre considerei e proclamei em viva voz para quem quisesse ouvir, que pessoas interessantes nunca estariam ali. E que se fossem minimamente interessantes que teriam algum problema muito grave a nível emocional, traumático, etc.

 

Para mim, o ‘velhinho’ conhecermo-nos na vida real, apresentados pelos amigos dos amigos, ou o amigo dos colega de estudos / trabalho, eram a única fórmula que poderia funcionar. E isso era facto para mim.

 

Eu que nem dava cavaco a alguém que se metesse comigo num qualquer lugar de diversão, que não estivesse anteriormente referenciado por alguém da minha confiança, lá ia conversar sobre conexões, com desconhecidos…?

E há pouco mais de um ano, após dar voltas à minha cabeça e ter estas duas questões a assombrar na mente e no coração… lá estava eu, a abrir a minha primeira conta numa dessas apps. 

Essa primeira conta esteve aberta muito pouco tempo. Assustei-me com o que encontrei. Fechei-a. 

E depois de ouvir histórias que tinham corrido bem, de outras pessoas, abri uma nova passadas algumas semanas, com mais assertividade no estar assumidamente ali, e no que ali demonstrava de mim.

Aqui começa a história de transformação, de muitas boas experiências, e de outras não tão boas que vivi, a partir das supostas conexões ali geradas.

Reforço o ‘supostas’, porque foi o que encontrei: os malucos que reneguei lá atrás. Noutras faces, noutras geografias. Os mesmo problemas. E isso é o que te vou contar, a seguir…

Apps para encontros? Usar ou não usar?

O que o uso de apps de encontros e a análise das mesmas, entra numa história, sobre histórias de transformação?

Hoje vou partilhar contigo porque apaguei a minha conta, faz algumas semanas, e, a minha opinião, sobre, caso andes à procura de relações reais, porque acho que NÃO deves prosseguir nestas apps. Não por ser uma autoridade sobre o assunto. Não para te condicionar. Mas para me acompanhares no caminho que fiz de transformação, e o que percebi nele…

  • Na app que utilizei, entre muitas centenas de matchs, a taxa de conversão para conversas nem a 3% deve ter chegado.
    O que começa por revelar algo: muitas pessoas estão ali só nos tempos de tédio, outras tem coisas a esconder e por isso não usam a app abertamente, e ainda há aquelas que já desacreditaram que vai dar alguma coisa, tão queimadas que estão dos malucos que encontram pelo caminho,
  • Dessas correspondências, muitas foram silenciosas, ou seja, sem resposta ao “olá” inicial da conversa, o que acontece exactamente pelas mesmas questões do ponto anterior, somando à estranheza de quem não é de muitas palavras escritas e de poucas condições de estabelecer um conversa com desconhecidos,
  • Das poucas que avançaram após este primeiro passo de conversação, muitas não sobrevivem ao primeiro ou segundo dia de conversa, por variadas razões (sempre cumulativas das situações anteriores) a que se acrescenta a falta de clareza do que se procura ou expectativas desfasadas entre o perfil e o que realmente é ou procura.
    Aqui também há os erros de casting de pessoas que simplesmente ignoram os perfis e vão apenas pelas carinhas bonitas e afins!
  • Passando este passo, talvez consigas conhecer pessoalmente uma ou duas pessoas, talvez um pouco mais…
    Vindo a hora de um café ou um copo num local público, muita coisa pode acontecer, e o mais provável é a pessoa ficar muito aquém da expectativa gerada pelas conversas escritas e ou de áudio voz… 
    Normalmente o desfasamento é muito desilusivo, e a probabilidade de passar a um segundo encontro, muito reduzido,

  • Podes até ter uma aparente boa surpresa de quando a quando, mas a verdade destes achados no crivo, se revelar mais um maluco para a lista, está associado ao tempo.

Com o tempo, vais encontrar as suas feridas, frustrações, casos do passado mal resolvidos e/ou tão recentes que ainda pulsam em tudo o que é o foco daquela pessoa.

A probabilidade de esta pessoa estar ferida, e estar à procura de se completar com alguém, ou de se distrair dos seus problemas, usando outra, é tão grande, que vais acabar por te ver metid@ em dramas e projeções de situações que não são tuas.

Foge enquanto em tempo, porque, de redução em redução, enfim… resumindo: muito tempo investido, para muito pouco proveito.

Se assim é, porque fiquei um ano a experimentar estas aventuras?

Relembro o que me trouxe até aqui: o meu pânico, que me atormentou durante semanas e senti a pressão em mim mesma de resolver esta questão, mesmo perdendo o meu foco e a minha essência.

Segundo, senti que precisava de experimentar outras vias, se as tradicionais estavam bloqueadas, e poder validar na primeira pessoa a existência de casos de sucesso, afinal, eu gosto de desafios.

Depois… porque vieram alguns casos, mesmo que temporariamente, de sucesso. E é disso que vamos falar agora!

Antes de tudo, o que é algo que foi concretizado com sucesso?

Algo que foi concluído com os seus pressupostos. Agora, precisamos compreender que essa concretização pode ser temporária. E o facto de não resultar ou permanecer para sempre, que não tenha tido um propósito ou balanço positivo, pelo menos durante um período de tempo.

Razões porque DEVES experimentar pelo menos alguma vez na vida uma app de encontros

Se já partilhei porque não deves, hoje também vou partilhar contigo razões porque considero que DEVES experimentar pelo menos alguma vez na vida uma app de encontros:

  • Conheceres pessoas que de outra forma não ias conhecer, porque tem circuitos, e redes de conhecimentos pessoais distintas, e seria improvável serem apresentadas
  • Viveres a experiência que essas mesmas pessoas te trazem para a tua evolução de alma e crescimento enquanto pessoa. Inclusive, alguém com quem te deves cruzar está ali, e tudo está divinamente planeado para que esta ferramenta seja um conector importante.

Bem, na verdade, foram as únicas vantagens, generalistas, que encontrei ao fazer esta compilação. Só que em cada ponto, tenho muitas experiências próprias e individuais, que vivi, e que essas sim, vou listar.

Sim, vou entrar mesmo, muito mesmo na minha intimidade, no entanto, considero fundamental escrever sobre isso, porque aqui assenta a minha (r)evolução neste (r)encontro da minha essência.

E se isto que te vou contar não é um guia de como podes encontrar a tua, é um resumo do reforço das minhas aprendizagens, que pode inspirar-te a pensares nos teus padrões.

É sobre eles que vou falar… coisas que já sabia sobre mim, só que tinha deixado adormecidas, porque queria contrariar o medo do medo.

A minha própria viagem interna

Então durante esta experiência de um ano para cá, apesar do número reduzido de pessoas com quem acabei por viver algum tipo de conexão, sendo que a maior parte foi exclusivo de amizade, fiz um caminho intenso e deveras interessante.
Foi muito, mesmo muito sobre mim. Quando penso nos malucos com quem rescindi lá atrás, e que parecem ter-se repetido, nestas pessoas, que vieram propôr-me desafios em mim, me fizeram ter de olhar de novo para algumas questões não terminadas ou percepcionadas totalmente:

  • Fiz as pazes com a minha geografia! Sim, nunca pensei voltar a viver cá, e quando vim no final de 2020, vim apenas temporariamente. Cada um deles me mostrou um lado de viver por cá, que me fez olhar para “a minha terra” de forma diferente e com possibilidades positivas,
  • Ao contrário do que pensava, existem muitas pessoas da minha geração que estão solteiras, e apesar de algumas se sentirem pressionadas para não estar, a sua essência desligada, significa que na verdade elas não querem estar numa relação tradicional. Então, o meu trabalho sobre a necessidade de que as pessoas exprimam mais a sua verdade, não é uma alucinação minha,
  • Compreendi sobre mim mesma uma verdade que sempre cá esteve e não sabia lidar com isso, criando conflitos dentro de mim, quando me sentia tranquila em partilha relacional: sim, podemos amar muito, e mais que uma pessoa de cada vez (atenção que amar e relacionar sexualmente são duas coisas distintas!), e na sequência, assumi no início do ano publicamente o meu centro poliamoroso / não monogâmico.
  • Compreendi também, mais uma vez, que as pessoas têm dificuldade em revelar verdades semelhantes sobre si. E que precisam de ajuda para partilharem mais sobre elas. E com isso, compreendi que esta facilidade que tenho de escrever, é um dom que preciso de pôr ao serviço público, para falar destas situações, mesmo tendo de me expor pessoalmente como forma de contar sobre casos reais. Daí a minha escrita ter explodido neste último ano, mais que nunca,
  • Percebi que a minha frustração por não ser mãe, mais do que própria maternidade, num sentido biológico, é egóica, ou seja, algo que pretendo mais porque os outros têm algo que eu não tenho, e não tanto por ter de o ser  (o boom de bebés nas redes sociais e a pressão social é mesmo uma treta que se entranha em nós!).
    Precisei de me envolver com um pai, envolto numa crise sintomática idêntica, para me ver ao espelho,
  • Percebi que substituo a falta da maternidade, acolhendo conexões, com pessoas com problemas ou dependências maternas. Sim, os meninos da mamã chovem por aqui. E não é apenas de agora!!! Eu já sabia que tinha este padrão, por olhar para todo o meu passado amoroso, e ando a trabalhar nele, faz muito tempo. Só que agora, então, descobri que afinal os meninos da mamã malucos, são apenas meninos com falta de colo. E perceber isso, permitiu-me perceber que não há mais colo maternal para este tipo de ligações.

Um aprofundamento no conhecimento de mim e na minha essência interior

Nas duas relações que aprofundei mais, tive dois grandes ensinamentos, um por cada, da qual abro, aqui, ainda mais, o meu coração:

  • Na primeira, aprendi que doí quando alguém decide sair da vida do outro.
    Pela primeira vez em toda a minha vida, alguém terminou a relação comigo. E eu só sabia o que era estar do outro lado. A minha raiva foi tanta que nem sabia que era possível sentir raiva por alguém de forma tão concentrada.
    De cabeça fria, e usando as ferramentas que disponho, percebi que a raiva era sobre mim mesma.
    Por ter falhado. Na verdade, quando sentimos raiva de alguém, não é da pessoa. É de quem somos ou fomos pela interação com aquela pessoa. E isso diz tudo sobre o que temos de melhorar em nós.
    E também me permitiu desenvolver empatia, e a equilibrar todas as decisões unilaterais que machucaram outros, e que consequentemente, energeticamente me machucaram a mim.
  • Na segunda, relembrei, de coração esmagado, que não vale a pena forçar aquilo que desde a partida a nossa intuição diz que não é por ali.
    A nossa alma lê as outras almas, e sabe até o que os outros não têm consciência sobre si.
    Precisamos ouvir mais.

    Por mais que possa parecer interessante, nem todas as pessoas são ou estão preparadas para nós (e também nós para elas).
    Que devemos respeitar os nossos limites, e quando vemos os sinais que é para sair, sair logo. Não vale a pena insistir onde não estamos em casa ou não somos acolhidos com a mesma entrega, foco, forma de vida, etc, etc, etc, seja qual for a diferença estrutural de uma relação.
    Eu já tinha cometido este erro durante 8 anos, insistindo em ficar com alguém que não olhava para a vida da mesma forma que eu.
    Já tinha saído desse padrão, só que precisei de o repetir de novo recentemente para compreender e curar algo neste padrão que não estava consolidado.

Porquê deste abrir do meu coração?

Ao abrir-te o meu coração, convido-te a fazeres também uma reflexão para o que tens repetido na tua vida.

Nos motivos das tuas escolhas e lutas.
Se estás a colocar muita energia a alimentar os padrões e afinal só precisas de os olhar de frente, mesmo com dor, e libertar-te deles.

Quando nos libertamos dos nossos padrões, a magia acontece.

Comigo aconteceu sempre, em cada libertação.

Estes últimos 7 anos tem sido um libertar de padrões atrás de padrões, mesmo que por vezes tenha de lá ir errar e experimentar de novo. Só que é tão bom de cada vez que voltamos a casa, cada vez mais fortes.

Enquanto andei neste processo de montanha russa acelerada, nestes últimos meses, recebi algumas mensagens, em comentário a algumas partilhas minhas, de uma pessoa que fez parte da minha adolescência, que apesar de nunca nos termos visto mais, temos acompanhado faz muitos anos pelas redes sociais, que começa a 16 de Agosto de 2021 com um “E desde quando te importas com a opinião dos outros? Quem és tu e o que fizeste à minha Ju?” e remeta a 3 de Junho de 2022:  “A Ju que sempre conheci. Forte, decidida e independente.”

A primeira mensagem ficou a ecoar cá dentro, e por isso me lembro do dia em que a recebi. Naquele momento eu não sabia responder aquela pergunta. em 2020 andava perdida no medo, no pânico, e com isso perdi-me de mim, e entreguei-me, mais uma vez, erradamente, nas expectativas de cumprir o calendário para os outros.

Em 2022 regresso à minha casa, aquela que está dentro de mim: eu mesma, a minha essência.

Cá dentro sinto a diferença. Sinto tanto a diferença, que todo o meu corpo reverbera nela.

Faço uma retrospetiva de como o meu corpo se ressentiu das minhas dúvidas desde aquele primeiro pânico em 2020.  Como envelheci e engordei desmedidamente de stress naquela altura…

Sinto a diferença como me sinto revitalizada neste momento. Desde a paz no coração a uma pacifica alegria que se vai instalando. Mas acima de tudo, desprendida do medo. De qualquer um, principalmente de não voltar a sentir o peso do julgamento alheio, da pressão social alheia, que um dia (alguns dias), permiti que me atingisse.

Hoje sinto-me tão livre, que essa liberdade me permite dizer tudo o que sinto cá dentro. E também escolher não querer nada além de mim mesma, neste momento.

Um balanço matinal

Hoje depois de acordar a pensar nisto, uma outra bruxinha enviou uma mensagem sobre algo que partilhei, e ficámos a falar sobre isto.

Sobre as expectativas sociais e na pressão que quem escolhe ficar sozinha é alvo, porque parece ‘criminoso’ ter uma posição e uma escolha, decididas a não acolher qualquer relação porcaria na nossa vida.

Trocámos impressões sobre as coisas que ouvimos, quando nos tornamos exigentes. E então, apesar de hoje me ver novamente nesta posição, fiz este balanço sobre mim:

  • Em tempos tinha sido essa mulher decidida. 
  • Deixei de o ser.
  • Voltei a ser.
  • Perdi-me novamente.
  • Encontrei-me novamente.
  • Hoje sei o que quero. Mas principalmente, o que não quero e o que não permito. Quero-me apenas a mim!

Os ciclos vão e vêm para nos pôr à prova. Para que, de fase, para fase, as coisas aconteçam mais fortes, mais certas, mais autênticas dentro de nós.

Os ciclos vêm para reforçar aquilo que já sabemos que não é o caminho, e nos relembrar isso, mesmo que seja pela dor que atravessa a nossa teimosia em ir pelo lado errado.

 

Os ciclos vêm para reforçar qual o caminho a seguir, para cada um/a de nós, ensinando-nos a lidar cada vez mais e mais com isso, de forma autêntica, vivida, e honesta dentro de nós.

 

Há dias encontrei uma pessoa que admiro, por acaso. Por acaso porque não a pensava encontrar ali. E porque faz quase um ano que andamos a combinar encontrar, e nunca calha bem.

Uma outra menina-mulher, que como eu, também trabalha com relacionamentos. Como eu, com histórias terminadas de relacionamentos.

Falávamos de como as pessoas apontam sermos divorciadas, separadas, solteiras, e trabalharmos relacionamentos.

E eu dizia-lhe qualquer coisa como isto… “nós somos boas a fazer o que fazemos, porque realmente o vivemos e saímos do que sabemos que não era para nós. Sabemos o que não funciona. E por isso somos mais exigentes em saber o que funciona e que pode ajudar outras pessoas”


É verdade.
O meu contributo vem porque já conheço tantos caminhos das sombras e da luz de uma relação, do amor, das conexões humanas.

Não poderia ajudar ninguém que está perdido, se eu jamais me perdesse.

Estou aqui para mim, mas também para ti!

Se hoje te conto esta história com tantas e tantas palavras, linhas que se somam. É por isso. Porque as minhas sombras superadas me permitem olhar tudo isto com calma e paz no coração.

Mesmo que, de quando a quando, fique de coração partido, eu acredito no amor acima de tudo.

Mesmo que, de quando a quando, tenha de fechar mais uma porta, fico em paz ao saber que fez tudo parte de um plano para me levar a uma porta melhor.

Se sou boa a fazer o que faço, é porque sei o que vale ou não vale a pena focar o amor, para mim. Vivido na primeira pessoa, várias vezes, em várias experiências. 

E através dessa experiência aprofundei-me mais e mais. No sentir, e no conhecimento de ferramentas para lidar com ela.

E numa dessas experiências, terá sido uma experiência igual à tua. 
E numa dessas ferramentas, terá sido uma que te pode ajudar se precisares.

Eu escrevo este texto para mim, para me reforçar na aprendizagem desta viagem. Só que o dedico a ti. Que estás a viver também esta viagem e superação.

Quero deixar-te uma recordação sobre ti: a cura de um relacionamento, não é sobre a relação com o outro, é sobre a relação contigo mesma.

Se te curas a ti. Se o outro se cura a si. Ambos estão prontos. Pode ser para aprofundar ou largar amorosamente uma relação. Se um estiver ferido. Ambos sairão feridos. Aí, não vale, qualquer pena!

Enquanto não sai a público a grande história que todos estes acontecimentos vieram despertar dentro de mim, que quando completar na minha escrita, espero poder partilhar contigo, e deixo-te mais esta pequena mensagem:

Não procures acolher o que não pode ser acolhido… a vida é muito mais do que estás a ser capaz de viver agora.

E… lembra-te que não estás sozinha… somos mais, 

Estamos juntas!

Com amor,
Judite