É urgente falar de relacionamentos

Pois é… depois da última partilha, foi lançado um mote sem fim, de questões e debates.

Muitas pessoas não compreenderam o contexto da minha partilha anterior.

Outras, tão pouco compreenderam, ou percebem, que esta partilha tem a ver com o meu trabalho, e que a minha escrita acompanha o meu trabalho.

Umas quantas questionam-se porque falo agora tanto de relações amorosas, ainda mais porque não me vem partilhar as mesmas para as redes sociais.

E ainda… bem… esta é a melhor de todas… há quem me diga que o meu coração partido me está a fazer ser inconsistente…

Em tantas opiniões, vamos falar de coisas sérias.

Porque tenho focado tanto nestes temas?

Porque eles são precisos!
A minha conquista pela liberdade de ser quem sou, disrumpendo as caixinhas relacionais. O meu ativismo pela verdade e honestidade. E a minha voz em ação por uma sociedade equitativa nos direitos de sermos humanos, acima de géneros e da matriz divisora que eles nos trazem… Tudo isto trouxe-me a este momento.

Trabalhar com relacionamentos amorosos foi um acaso!?

Na verdade eu não acredito em acasos e sim propósitos além do nosso visível. No entanto, quando me refiro a este acontecimento, refiro-o assim, porque não programei que ele acontecesse daquela forma.

Mentiria se dissesse que nunca tinha pensado nisso. 

Pensei. Aos 17 anos pus em hipótese de estudar uma área que me permitisse aprofundar os estudos e as abordagens da sexologia. Só que os preconceitos a que me deixei influir à minha volta, desviou-me do assunto. Arrumei esse tema literalmente na gaveta. Bem lá no fundo.

Porquê resgatar agora, 20 anos depois? Aqui é que vem o “acaso” que nada tem de acidente e tudo de propósito.

Hoje sei que a minha visão disruptiva, cheia de amor no olhar das conexões humanas, e de ver este contacto entre pessoas que se veem de verdade, de uma forma profunda como a fusão do toque e o beber da alma, com que sempre vi este campo da existência humana, trazia propósito.

Atualmente conheço o meu papel nesta consciência. Mas nem sempre foi assim. E uma série de acontecimentos que se sucederam em 2017, levaram a que começasse, ainda sem perceber, activamente a resgatar este tema como foco do meu trabalho-missão, no mundo.

De facto, as coisas sucederam de tantas formas, com tantas voltas, que uma parte muito resumida da história refletida na minha partilha anterior, foi essencial para que eu assumisse a causa a que me propus na sintonização desta vida actual.

No entanto, ela foi trilhada antes. Muito antes. 

O click para avançar

Hoje vou focar-me no que aconteceu num belo dia no meu estúdio em Alcântara, e na revolução que um pequeno “acaso” pode trazer para a vida de tanta gente, a começar pela minha.

Um belo dia uma senhora, nos seus setenta e muitos anos, ligou-me porque a filha lhe tinha oferecido um voucher de experiência com 4 aulas de yoga do riso.  O pack consistia na participação em 4 aulas, do meu horário para grupos. Em conversa, a senhora partilhou comigo a sua incompatibilidade para os horários, que, ao final da tarde, já eram tardios para ela.

Na altura, passava as quintas de manhã no estúdio, mas não havia atividades nesse bloco de tempo. Então, prontifiquei-me a, excepcionalmente, trocar as aulas de grupo, por sessões de risoterapia individuais, mais curtas e focadas.

As pessoas aparecem nas nossas vidas com um propósito

E assim foi. No dia marcado, lá estava ela. Entre conversa e gargalhadas, desabafou comigo que o marido é que precisava daquilo, pois estava muito focado na desgraça alheia, e na depressão televisiva. Contou-me também que o marido estava no carro à espera dela.

Ora, assim que veio esta partilha da dependência para a deslocação, imediatamente saiu da minha boca o convite: “Para a semana, traga o seu marido. Oferta da casa!”

Na semana seguinte, à hora certa, aparecem os dois. Ela despachada à frente, e ele timidamente atrás dela, seguiram até à sala.

Conversei com ambos, e comecei a gerir a sessão com exercícios de pares. Exercícios que já utilizava nas dinâmicas de grupo habituais, mas com um reforço num pequeno grande pormenor.

Se nos grupos a timidez e a fuga do olhar era “tolerada”, ali não havia desculpa.

Precisei muito, mesmo muito, de reforçar com aquele senhor, que não deveria olhar para mim, e sim para a sua esposa. 

E reparei como lhe era difícil manter o olhar.

Mais de 50 anos de casamento, e a dificuldade de manter uma conexão olhos nos olhos era tremenda. Só que eu insisti nuns quantos exercícios que os levavam ali, aquela posição.

As revelações que vamos encontrando

Foram para casa e levaram trabalho de casa. 

Voltaram na semana seguinte para a terceira, e ainda muito difícil, sessão. E “desapareceram” durante uns tempos, pois foram passar umas semanas à terra.

Regressados da sua pausa, lá recebi um alegre telefonema a anunciar o regresso. Aquele telefonema, aquela voz, parecia a de uma mulher mais jovem que na primeira vez que me tinha timidamente ligado, mas na sala, durante a sessão é que se houve grandes revelações.

Chegaram. Sentaram. E, sem que nada lhes dissesse. Fitaram olhos nos olhos. Replicavam os exercícios sem me olhar. Os seus olhos brilhavam atentos um para o outro. E das suas palavras, haviam histórias engraçadas e enaltecedoras do outro.

Quando terminamos, senti-me estonteada, ainda a ter de perceber tudo o que ali se tinha passado. Aquilo sim, podia ser chamado de magia.
Porque foi.
Porque é!

Um sentir em potencial

E assim aquela oferta desprendida diretamente do coração, deu o pontapé de saída para o meu encontro em ter casais, juntos, em processo de terapia.

Comecei a testar com outros casais.
Ensinei outras pessoas a usar o mesmo método.

Tive vários maridos e companheiros a serem arrastados para dentro das salas a medo. E depois para fora, porque já nem queriam sair de lá.

Sim, é verdade! Sejamos honestas que, pelos conceitos sociais que permitem que sejam mais emocionais e falem abertamente do que sentem,  em geral, as  mulheres são muito mais dadas a estas novas experiências, e que procuram muito mais equilibrar as diferenças de comunicação, antes de desistirem de uma relação.

A risoterapia para famílias e casais foi a primeira experiência que desenvolvi como terapeuta holística para relacionamentos, no entanto quanto mais me envolvia com esta realidade. Quanto mais descobria a minha própria realidade. Mais outras pessoas vinham até mim, com as suas questões.

Dentro da minha disponibilidade ao mundo, fui compreendendo estes padrões, tanto quanto os fui estudando, nas várias linhas e abordagens com que trabalho e estudo permanentente. E quanto mais o faço, mais questões vem até mim. Mais situações para me descobrir. Mais situações de clientes e consulentes. Mais ferramentas que completam a minha intervenção e abordagem.

O que trago hoje ao mundo

Hoje apresento nas minhas ofertas a Terapia Holística para relacionamentos, que serve para pessoas individuais que pretendam aprofundar a sua posição neste campo, assim como à intervenção conjunta de pessoas conectadas numa relação, que pretendam melhorar as suas interações e aumentar a percepção das suas conexões num amor saudável e integrado nas suas questões pessoais.

Então, se não compreendeste a minha partilha anterior sobre a aprendizagem da experiência das apps de encontros e a sua pertinência e extensa descrição, tem tudo a ver com isso.

Porque esta também é uma realidade. 

É uma realidade que está a trazer novas questões para os relacionamentos. Que reflete como as pessoas estão a viver e o que precisam para se curar. Num mundo diferente. Num mundo onde as relações se pretendem viver sem fórmulas.

Mas também num mundo onde as realidades se chocam, e a abertura das regras e a sombra das regras antigas se colidem, e as pessoas não sabem lidar com elas, perdendo o respeito por si, e pelos outros envolvidos.

Porque (é) preciso falar disto?

Do meu ponto de vista é altamente necessário falar do que se passa no amor, abertamente, para podermos realmente viver em amor.

Vejo, constantemente, coachs e outros terapeutas holísticos a falarem de relações e conexões, com um centro puramente patriarcal.

Sem encaixe das personalidades, das missões individuais, das diferenças.

Já não focando que a abordagem comum é uma imposição cis hetero normativa judaico-cristã de imposição monogâmica e contradita à nossa ecologia e biologia raíz. No condicionamento da dinâmica homem-mulher, únicos, exclusivos e dependentes, de amor que se contém e retrai.

Poucas pessoas neste mundo falam de algo que é tão orgânico, que biologicamente quer no plano da alma, que são as relações expansivas e a multiplicação de amor.

A crise da (des)harmonia feminino-masculino

Vamos nos situar no que tanto se fala neste mundo das terapias e orientações relacionais, ou vulgo, de casal. Até porque muitas das pessoas que aqui me lêem se enquadram nesta dinâmica casal exclusivo, de amor social, e no relacionamento homem-mulher…

Pelos pressupostos dos meus colegas fala-se muito no respeito e na adaptação e modelagem nos papéis.

É necessário respeitar as dinâmicas das energias masculinas e femininas? Muito! 

No entanto, esse encaixe significa força e intuição, que, maioritariamente está mais ligada ao biológico homem / mulher.

No entanto, essa não é a única gestão energética e emocional que temos de fazer. 

E ver posts e livros dos meus queridos colegas a “educar” a mulher a seduzir e manipular o interesse do homem, com meias palavras, meias verdades, volta-me o estômago mil vezes em cada olhar cruzado de… “deixar que seja ele a tomar a iniciativa…!”

Por outro lado, ensinam as mulheres a deter o poder da relação.

Está tudo louco neste mundo?

Estamos a ser reeducados novamente, por outras formas,  para as diferenciações de papéis com a manipulação do poder?

Vivemos num mundo supostamente com mais informação que nos pode ajudar a resgatar essa consciência…

E o que fazemos dela? Moldamos essa consciência para caber num mundo antigo, de regras de prisão, de pré conceitos e estigmas que não lembram a ninguém…

O incentivo da misoginia no desenvolvimento pessoal

Então curamos umas feridas… abrimos outras… E damos a volta ao mundo a alimentar a mulher forte, que tem de mostrar ser dura e simultaneamente casta e recatada, como que escondida nas sombras da relação, até que o homem lhe dê esse brilho. Que não toma iniciativa porque se o fizer está errada, porque o homem se vai desinteressar…

Coitadinhos de os meninos se sentem ameaçados pela sua pretendente o agarrar contra a parede e der o primeiro passo para uma noite escaldante…

Perdeu o interesse? O problema está na autoestima dele, na autoconfiança dele, nos conceitos dele…

Então minhas queridas, nesse caso, não somos nós que nos temos de curar para encaixar nas faltas de curas deles.

Temos de curar muitas coisas sim…

E eles também!

A minha proposta: cura da verdade e da honestidade

Por isso sim, essa é a minha proposta de curarmos relações com verdade, honestidade, equidade, e confiantes.

Por isso é que a minha proposta assenta num único pressuposto: comunicação. Comunicar abertamente, em verdade, o sentir. Sem medos, sem jogos, sem meias palavras, sem regras sociais de quem deve fazer primeiro, sem guião pré-estabelecido.

Cada relação assente na verdade de cada sinergia. Uma sinergia própria de todas as pessoas envolvidas.

E, se para o fazer, tiver de fazer abrindo a minha própria realidade e experiências, de forma a contar verdades, sem expor os meus clientes. Porque não?

Se a honestidade é a minha bandeira, então, só me faz sentido poder mostrar-me de verdade, para todas as pessoas que procuram ajuda, e que saibam, que não estão sozinhas. E que apesar dos processos serem todos diferentes, todos partimos de bases muito semelhantes e que se repetem.

Precisamos de falar de conexões verdadeiras, e não de jogos de poder.

O amor não se mede nos formatos institucionais das relações. O amor propaga-se pelas conexões geradas. E só isso interessa. As instituições são criações sociais regidas no padrão para que foram criadas, e muitas relações assentam no padrão obsoleto dessas mesmas instituições.

Precisamos de liberdade para amar!

De verdade. A partir do coração. Sem que nos digam como é certo amar.

Por isso… se estás farta de fórmulas cliche. Se aquilo que tens feito para te curar para as relações ou curar a tua relação não funciona, se é o teu caso, não hesites em procurar ajuda naquilo que acreditas e que o teu coração te aponta que é certo.

Cura-te, mas não mudes o teu centro de valores, nem negues a tua missão nesta vida.

Lembra-te: não precisamos de fazer caminhos difíceis sozinhos! E há sempre quem tenha um olhar que nos ajuda a ir para onde realmente precisamos.

Se te faz sentir, e te fizer sentido, estarei aqui, para ti!

Com amor,
Judite